Pelé, o Rei do Futebol, morre aos 82 anos

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Maior jogador de futebol em todos os tempos morreu no hospital Albert Einstein, em São Paulo, vítima de complicações de um câncer de cólon

Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, conhecido mundialmente como o “Rei do Futebol” e considerado o maior jogador de todos os tempos do esporte, morreu nesta quinta-feira (29) por complicações de um câncer de cólon, aos 82 anos.

Pelé estava internado desde 29 de novembro no hospital Albert Einstein, em São Paulo. Ele chegou ao hopsital para tratar uma infecção respiratória e reavaliar o tratamento no câncer, descoberto em 2021.

O velório do Rei do Futebol será na Vila Belmiro, estádio do Santos, clube pelo qual jogou 1.116 vezes entre 1956 e 1974.

O “Atleta do Século”

Do quarto da unidade hospitalar, Pelé acompanhou a eliminação na Copa do Mundo da Seleção Brasileira, que buscava o inédito hexacampeonato. Apesar da queda nos pênaltis contra a Croácia, o ex-jogador não perdeu o otimismo para o próximo mundial: “A nossa conquista foi apenas adiada”.

Pelé fala sobre Copas do Mundo do alto do trono de que quem conquistou por três vezes o maior troféu do futebol mundial, feito que ainda não foi repetido por nenhum outro jogador na história.

Nascido em Três Corações (MG), o pequeno Edson já morava em Bauru (SP) quando viu o pai, o também jogador de futebol Dondinho, chorando com a derrota da seleção brasileira na Copa de 1950. “Quando crescer, vou jogar na seleção e o Brasil será campeão”. A profecia demorou apenas oito anos para ser realizada.

Em 1958, o mundo conheceu o garoto de 17 anos que entrou no time titular durante a competição na Suécia, e acabou sendo o craque da competição, com dois gols na decisão contra os donos da casa.

Já em 1962, viria o bicampeonato, que o Rei viu do banco de reservas, após uma lesão o tirar do mundial. O time comandado por Mané Garrincha, um dos grandes parceiros de Pelé em campo, conquistou o título nos gramados do Chile.

E em 1970, aconteceu a apoteóse do gênio. Pelé comandou a mítica seleção que levou o tricampeonato no México, lembrada até hoje como um dos maiores times da história do esporte.

Pelé também foi superlativo no Santos, clube no qual estreou aos 15 anos, em 1956. No time da Vila Belmiro, o Rei conquistou 56 títulos, entre oficiais e não oficiais. Entre eles, o bicampeonato mundial de clubes, em 1962 e 1963. No Santos, Pelé marcou incríveis 1.091 gols em 1.116 jogos.

No total, Pelé marcou 1.282 gols, 12 deles em Copas do Mundo. Além disso, foram 37 títulos oficiais. Além do Santos e da seleção, o Rei vestiu a camisa do New York Cosmos, sendo um dos pioneiros do soccer nos Estados Unidos, onde encerrou a carreira.

Entre os inúmeros prêmios e homenagens recebidas ao longo da vida, Pelé foi eleito o “Atleta do Século XX” em 1980, pelo jornal francês L’Equipe, superando Jesse Owens, o velocista americano que desafiou Hitler nos Jogos Olímpicos de Berlim, em 1936.

Estrela mundial

Pelé encerrou a carreira dentro dos campos, mas nunca deixou de ser um ícone global do esporte. Viajava o mundo promovendo o esporte, a educação e o Brasil, encontrando chefes de estado, papas, artistas e autoridades, arrastando milhares de pessoas por onde passava. Gravou discos, fez filmes em Hollywood, foi comentarista de TV e embaixador dos direitos humanos.

Em 1995, foi nomeado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso como ministro do Esporte. Seu grande legado na Esplanada dos Ministérios foi a criação da Lei Pelé, que deu mais poder aos atletas na negociação de seus contratos e profissionalizou a prestação de contas dos clubes.

Últimos dias

Ao longo dos últimos anos, Pelé precisou ser internado diversas vezes. Se submeteu a uma cirurgia no quadril que fez com que não pudesse caminhar sem auxílio, motivo pelo qual reduziu significativamente suas aparições públicas. Em 2021, fez uma cirurgia para retirada de um tumor no cólon e, desde então, fazia tratamento quimioterápico para combater a doença.

Em todas as internações anteriores, voltou para casa. Desta vez foi diferente: com o quadro clínico piorado por um inchaço, reflexo da perda da função renal, também enfrentou problemas cardíacos e respiratórios.

Teve, ao longo desta internação, a opção por permanecer sob cuidados paliativos, uma medida clínica que proporciona conforto ao paciente em estágio clínico grave e irreversível.

Do lado de fora do hospital, a imprensa acompanhou os últimos dias do Rei do Futebol em raros boletins médicos divulgados pelo hospital e nas postagens dos filhos nas redes sociais. Em uma das últimas fotos publicadas, a família apareceu reunida, nas dependências do Einstein, na noite de Natal.

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