Lula se diz ‘animado’ em encontrar Biden e aprofundar relação entre os países

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O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve viajar aos Estados Unidos para reunião com o presidente norte-americano, Joe Biden, apenas em janeiro, após a posse. A informação foi repassada pelo ex-chanceler Celso Amorim, do grupo de transição do governo, após reunião entre o futuro chefe do Executivo e o conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, Jake Sullivan.
“Ele fez questão de dizer que o presidente Biden receberia o presidente Lula antes mesmo da posse. O presidente Lula comentou a situação interna, medidas que têm de ser tomadas, negociações que estão ocorrendo, e disse que talvez não desse”, afirmou Amorim. “Valorizou muito o fato de ter o convite feito dessa maneira, mas disse que talvez não desse para estar lá antes da posse. Ele acha que dá para ir logo no início do ano, também já numa visita oficial como presidente”, acrescentou. Inicialmente, Lula havia anunciado que a visita poderia ocorrer após a diplomação, marcada para a próxima segunda-feira.
Por meio das redes sociais, o petista comentou o convite. “Recebi hoje do conselheiro de segurança norte-americano Jake Sullivan o convite do presidente Joe Biden para visitá-lo na Casa Branca. Estou animado para conversar com o presidente Biden e aprofundar a relação entre nossos países”, publicou, com uma foto junto ao emissário dos EUA.
Também estiveram presentes no encontro Juan Gonzales, assessor do governo dos EUA para América Latina; Ricardo Zúñiga, vice-secretário de Estado para assuntos de Hemisfério Ocidental; e Douglas Koneff, encarregado de negócios da embaixada no Brasil. Do lado brasileiro, além de Lula e Amorim, acompanharam a reunião o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) e o senador Jaques Wagner (PT-BA). O encontro durou duas horas.
Amorim afirmou que a conversa abrangeu assuntos regionais e internacionais. “Temas ligados a desenvolvimento, cooperação de tecnologia, desenvolvimento sustentável, cooperação científica, tecnológica. Falaram muito de clima, de saúde global, da necessidade de fortalecer a democracia aqui na região. Foram conversados com muita clareza temas importantes, como a guerra da Rússia com a Ucrânia”, relatou Amorim.
De acordo com o ex-chanceler, “o presidente Lula deu muita ênfase à necessidade de uma nova governança mundial, mencionando, inclusive, o Conselho de Segurança, e o Jake disse que, na última Assembleia-Geral, o presidente Biden já tinha mencionado a necessidade, também, de mudar o Conselho, mudar o número de membros, mas isso como parte de uma uma mudança mais geral da governança global”.
Ainda segundo Amorim, Sullivan recordou que o Brasil terá a liderança do G20 — grupo de países com as maiores economias mundiais — em 2024. Ele ressaltou que os EUA demonstraram interesse em cooperar com o Brasil “para fazer do G20 um instrumento importante de uma governança global mais democrática e mais justa”.
Democracia
Outros temas discutidos foram meio ambiente e a democracia brasileira. “Falaram muito de clima, naturalmente das grandes ameaças, falaram muito de saúde global. Falou-se daqui da região, da necessidade de encontrar, também, e fortalecer a democracia na região de maneira positiva e boa para todos os lados por meio do diálogo”, emendou Amorim, destacando que Biden pretende fazer uma reunião de cúpula com os presidentes amazônicos.
Ele enfatizou que Lula fez uma comparação entre o trumpismo e o bolsonarismo “e a necessidade de reforçar a democracia”. “Jake assentou a importância da eleição, como foi democrática com a vitória de Lula, como isso foi importante para a democracia no Brasil e no mundo”, continuou.
Também segundo Amorim, o conselheiro americano fez uma avaliação sobre a guerra da Rússia contra a Ucrânia. “Análise das dificuldades, que os EUA, obviamente, desejam a paz, que a guerra está custando muito a todos. Dentro do contexto dessa análise, Sullivan mencionou a expectativa de que outros países podem ajudar”, disse.
A crise na Venezuela foi outro assunto discutido. Para os americanos, “é fundamental que haja uma eleição que possa ser considerada justa no país venezuelano”.

Por: Ingrid Soares – Correio Braziliense

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