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A aplicação das provas da versão digital do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), no domingo (07), bateu novo recorde de abstenção para o exame: 71,3% dos inscritos faltaram. O índice é maior que o registrado na prova física, realizada em dezembro: 55,3% — um recorde até então. Ao todo, 93.079 pessoas se inscreveram para o exame eletrônico, mas apenas 28,7% compareceram, algo em torno de 26,7 mil candidatos.

O balanço foi divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) ainda no fim da noite deste domingo por entrevista coletiva transmitida ao vivo no YouTube. Segundo Alexandre Lopes, presidente do Inep, o teste da nova versão do exame foi um sucesso. “Foi uma aplicação tranquila, mesmo em uma ano de pandemia, com todas as dificuldades, o Inep conseguiu manter sua proposta inicial para o Enem digital, muito satisfeitos de oferecer essa nova opção para os jovens. A partir de agora é um processo de implementação gradual do Enem digital”, celebrou. De acordo com Lopes, a expectativa é de que o Enem digital substitua a prova física em 2026.

Importante pontuar que a prova não ocorreu em Manaus (AM), por conta da pandemia de covid-19, e em uma escola do Rio de Janeiro (por falta de energia). O presidente do Inep esclareceu que as novas provas já foram remarcadas para estudantes dessas localidades. A divulgação do gabarito oficial ocorre já nesta quarta-feira (10) e os resultados saem em 29 de março.

Sobre o alto índice de abstenção, Lopes pontuo que ir realizar a prova é “escolha de cada estudante”, e que um número grande de faltas era esperado, especialmente para o segundo dia de provas.

Estudantes elogiam modelo

Aplicado pela primeira vez neste ano, o Enem Digital ainda está em fase de teste. Apenas participantes de 104 cidades brasileiras puderam optar por essa forma de aplicação. No domingo, eles tiveram cinco horas para resolver 90 questões. O tempo de prova é o mesmo dado a quem faz o Enem impresso.

Mesmo assim, fazer a prova em meios eletrônicos traz vantagens na percepção de alguns candidatos. “Me sinto mais familiarizado. Acho que tenho vantagem nesse modelo. É menos cansativo. Não sei explicar direito. Fico com menos preguiça”, declarou o estudante Pedro Henrique da Silva Vicente. Ele fez a prova pela segunda vez e pretende usar a nota para cursar engenharia mecânica.

A opinião é compartilhada pelo aspirante a aluno de música Thomas Formiga. “Estou acostumado com a forma digital. Fiz os simulados assim. Podemos marcar a questão para voltar e fazer depois. É mais prático e é o caminho para o futuro. E não cansa o pescoço”, colocou o jovem.

Mas a perspectiva não é unânime. Para Edgar Carvalho, que tenta uma vaga no curso de direito, responder às questões em uma tela é mais exaustivo. “Manusear a versão impressa me parece menos cansativo. Estar de frente para uma tela de computador por tantas horas, mesmo que tenhamos o hábito de usar celular, dá um certo cansaço na vista. É diferente. Eu não estava condicionado a isso”, concluiu.

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