EDITORIAL: O exemplo americano não deve ser desprezado no Brasil. O presidente tem grande apreço por Trump e bebe da mesma fonte.

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O mundo chega a esse final de semana chocado e preocupado com os Estados Unidos, a maior potência global
e símbolo contemporâneo e histórico de uma democracia liberal, onde as liberdades individuais seriam respeitadas e onde as oportunidades teriam efeito multiplicador e multilateral. A análise dos últimos acontecimentos
— potencializados pela exacerbação das tensões sociais,
pela grande polarização política e pela narrativa de ódio
que domina as redes sociais — indica que essa América
sedutora ficou nos livros e nos almanaques.
A invasão ao Congresso americano foi o ápice de um
processo tumultuado que dilacera o bem-estar político e o
respeito ao contraditório. O governo de Donald Trump representou, de forma geral, um retrocesso à valorização do espírito democrático e comunitário. Seu populismo bélico semeou a discórdia por quatro anos e, ao final, após a derrota
para o democrata Joe Biden, catapultou o ataque de grupos extremistas. Sua fala odiosa e o fato de insistir na versão de uma eleição fraudulenta, sem quaisquer provas concretas,
apesar de todos os processos checados e certificados,
construíram o incentivo final para a ordem de vândalos.
Violentos e cegos pela política, esses republicanos de extrema direita protagonizaram não só um ataque físico ao
Capitólio, com cinco mortes, mas também um atentado
às instituições democráticas.
O exemplo americano não deve ser desprezado no
Brasil. Sabe-se que o presidente Jair Bolsonaro tem grande apreço por Trump e bebe da mesma fonte ideológica.
Além disso, repete narrativas já desmentidas pelos fatos
e jamais provadas, como uma suposta fragilidade do voto eletrônico. Ao insinuar que o que ocorreu nos EUA pode se repetir em solo brasileiro, em 2022, Bolsonaro de
forma perigosa cria um ambiente de tensão desnecessária e de dúvida institucional, mais uma vez desacreditando o sistema nacional de votação.
O mundo polarizado carrega consigo — sempre —
um fio desencapado. O risco de um choque é iminente
toda vez que um ou outro lado avança o sinal do bom senso. Ter visões contrárias faz parte do jogo. O problema é quando a intolerância entra em campo. Regimes populistas — de direita ou de esquerda — costumam ter pouco apreço pela divergência. Quando ocorre uma derrota, costumam se entrincheirar, buscando razões que muitas vezes estão apenas nos delírios. O Brasil tem de aprender com o que ocorreu no Capitólio. É um fato que tem um contexto muito próximo às visões de mundo de seguidores sectários do presidente Jair Bolsonaro.

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